segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Não foi acidente!

          Segundo o DETRAN/RS, de janeiro a novembro de 2017, houve 1406 acidentes com vítimas fatais no trânsito gaúcho. Tais acidentes, também segundo o banco de dados do DETRAN/RS, resultaram em 1571 vítimas fatais. Na mesma pesquisa, o referido órgãos de fiscalização ainda informou aos gaúchos que a maioria dos acidentes (39%) ocorreu em vias municipais. Acredito que tal levantamento de dados não assombre os moradores de Santa Maria, porque diariamente tomamos conhecimento dos acidentes e "acidentes" ocorridos na nossa cidade
          Sinceramente, acredito que uma parcela considerável dos desastres ocorridos no trânsito não poderia ser denominado como acidente. Isso porque tais circunstâncias lastimáveis poderiam ser perfeitamente evitadas. Além disso, se um condutor passou por todo o processo de formação, deveria saber a importância das leis e regulamentações que regem o nosso sistema de trânsito. Caso algum motorista habilitado desconheça o Código Brasileiro de Trânsito, certamente, houve falha no processo de formação. Ademais, se tal motorista conhece as regras que guiam a boa convivência no trânsito e não as põem em prática por achá-las desnecessárias, está sendo, no mínimo, negligente e irresponsável.
          Há também motoristas que conhecem as regras e as descumprem intencionalmente não só por achá-las desnecessárias, mas também por se enxergarem acima delas. Tais condutores, além de negligentes e irresponsáveis, evidenciam-se como imprudentes. Tal comportamento se externa, visto que não medem as consequências de seus respectivos atos. Fazem questão de se esquecer de que devido a própria imprudência, podem, em razão de um ato irresponsável, destruir uma família inteira. Ainda que cause uma única morte no trânsito, terá matado um pouco dos familiares da vítima também. Esses motoristas, não raro, são aqueles que alertam sobre a presença de fiscalizações em determinadas localidades ou aqueles que criticam os órgãos de fiscalização, quando são aplicadas punições, como a retirada de pontos da carteira ou a retenção da habilitação do condutor, em decorrência de uma ação indevida no trânsito. Tais condutores não percebem que tal ação coercitiva serve como uma forma de protegê-los e de proteger os demais usuários das vias de trânsito.
          Percebemos, portanto, que há acidentes e "acidentes". Isso porque determinadas circunstâncias no trânsito são perfeitamente evitáveis. Se há leis que determinam direitos e deveres dos condutores, tais regulamentações devem ser cumpridas. E, se alguém não quiser cumpri-las, que se afaste do trânsito, visto que um veículo não pode se transformar em arma de destruição.  



segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

O que 2018 espera de nós?



          Ao sair de 2017, encontramos 2018 de braços abertos e cheio de possibilidades. Diante do início desse novo ciclo, convido-te, leitor, para um momento de reflexão. Ainda que a nossa vida, quase sempre acelerada, teime em não nos permitir uma pausa, nos próximos minutos, além de refletirmos sobre o ano que chega, conversaremos a respeito do que precisamos fazer para que tenhamos um ano maravilhoso.
          A transição, entre 2017 e 2018, dá-nos a oportunidade de podermos refletir sobre os acontecimentos passados e de podermos empreender determinadas correções de rota. Certamente, no ano passado, em algum momento, cometemos falhas. Seja priorizando a nossa vida profissional e/ou acadêmica em detrimento da nossa saúde mental e física, seja não tendo paciência com o próximo, por exemplo. Em razão disso, convido-te a empreendermos o exercício do perdão, direcionado a nós mesmos. Isso porque a autocrítica, em excesso, só fara com que venhamos a começar o ano sob um estresse desnecessário. O estresse, quando em excesso, afeta negativamente o nosso sistema imunológico.
             À medida que os anos passam, em razão dos empecilhos do cotidiano, vamos nos revestindo de uma armadura pesada. Tal fato se dá, porque determinadas circunstâncias do dia a dia e a competitividade contemporânea fazem com que a nossa percepção, pouco a pouco, vá sofrendo distorções. De tal modo que passamos a enxergar, frequentemente, perigo onde não há, por exemplo. Diante disso, faz-se necessário que tenhamos coragem para abandonarmos nossa armadura e, consequentemente, permitirmos a reversão dessa postura excessivamente defensiva. Ao empreender tal atitude, perceberemos o quanto os conflitos cotidianos e o contato com o próximo podem enriquecer a nossa existência e podem também auxiliar no desenvolvimento da nossa maturidade.
              Que, em 2018, tenhamos paciência, sabedoria e perseverança para empreendermos pausas reflexivas no nosso cotidiano e para, sempre que acharmos necessário, empreendermos correções a nossa trajetória. Além disso, que tenhamos coragem e maturidade para adotar, à medida do possível, posturas menos defensivas em relação aos acontecimentos do nosso dia a dia e aos indivíduos a nossa volta. Ademais, que, em 2018, ao nos deparar com o que temos de melhor, possamos redigir, alegremente, mais uma etapa da nossa história nas páginas desse novo ano.


(Imagem Retirada da Internet)


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

TDAH na vida adulta





          O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), em adultos, caracteriza-se por dificuldades constantes e persistentes na manutenção da atenção e hiperatividade contínua. Tal comportamento, não raro, traz consigo o comprometimento da vida social, acadêmica e profissional do portador desse transtorno. Ainda que o TDAH sofra remissão em alguns casos, segundo a American Psychiatric Association (APA), na maioria das circunstâncias, os sintomas do TDAH persistem na vida adulta. Em 1987, o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-III) passou a reconhecer a forma adulta do TDAH. 
          Indivíduos adultos, portadores do TDAH, costumam apresentar comportamento inquieto e ter dificuldades atentivas. Em razão disso, após o diagnóstico do referido transtorno, pelo profissional competente para tal, faz-se necessário que – com o auxílio de um terapeuta – o paciente passe a observar o próprio comportamento.  Isso porque, a partir do exercício, denominado automanejo, o paciente se torna mais apto a perceber os porquês das circunstâncias que o rodeiam. Segundo o pesquisador Michael L. Gordon, o treinamento para a identificação dos comportamentos inadequados é o primeiro passo para o desenvolvimento de estratégias de autocontrole.
          Frequentemente, o portador do TDAH tem dificuldade para se integrar nos meios sociais aos quais frequenta. Não raro, queixa-se de incompreensão por parte dos outros. Segundo pesquisas do Dr. Larry S. Goldman, o portador do TDAH sofre duplamente. Isso porque sofre por não compreender a si e por não ser compreendido pelo entorno. O referido pesquisador ainda cita o sistema educacional tradicional como um dos culpados pela incompreensão externa que tortura o paciente com TDAH. Faz tal afirmação porque acredita que, frequentemente, o nosso sistema educacional seja punitivo com os portadores do TDAH. Tal sistema desconsidera as dificuldades do paciente e passa a exigir o cumprimento de regras ordenadas, a exigir a atenção por horas seguidas e a avaliá-lo com provas monótonas.
           O TDAH, portanto, se não tratado, pode impactar, negativamente, não só a vida dos portadores dessa disfunção, como também a vida das pessoas que convivem com os portadores desse transtorno. Em razão disso, ao não se sentir confortável consigo mesmo e/ou com as circunstâncias ao redor, faz-se necessário que o indivíduo procure um auxílio médico ou psicológico. Caso possua TDAH – com diagnóstico precoce, acompanhamento médico e tratamento – o paciente certamente obterá melhor qualidade de vida. Se não for portador do TDAH, ao procurar auxílio médico ou psicológico, poderá consigo mesmo – e com o auxílio do terapeuta – descobrir o que pode estar lhe tirando a alegria de viver.


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segunda-feira, 24 de julho de 2017

Dia Nacional da Saúde


          No próximo dia 5 de agosto, será celebrado o Dia Nacional da Saúde. Essa data rememora o dia do nascimento, em 1872, do sanitarista Oswaldo Cruz – pioneiro no estudo de moléstias tropicais e da medicina experimental no Brasil. Além da inestimável contribuição na erradicação da peste bubônica, da febre amarela e da varíola, Oswaldo Cruz contribuiu para a estruturação das ações de saúde pública no país e, consequentemente, colaborou para que a qualidade de vida dos brasileiros obtivesse um quadro de melhora. Na atualidade, 145 anos após o nascimento de Oswaldo Cruz, o nosso Sistema Único de Saúde (SUS) trava embates para que a semente, lançada pelo sanitarista brasileiro, continue a germinar.
           O nosso SUS é um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo. Abrange desde a simples consulta ambulatorial até o transplante de órgãos, garantindo acesso integral, universal e gratuito a toda a população do país. Tal realidade só é possível, porque, diariamente, agentes comunitários, assistentes sociais, técnicos (as) em enfermagem, dentistas, farmacêuticos (as), fonoaudiólogos (as), fisioterapeutas, nutricionistas, enfermeiros (as) e médicos (as) travam embates, contra as adversidades do cotidiano, para que a população seja atendida da melhor maneira possível.
         Claro que não fecho os olhos para o que há de errado no nosso SUS. Infelizmente, existem falhas. Há falha quando o Estado não investe o que deveria ter investido. Da mesma maneira, há falha quando um profissional da área da saúde, independente da função, deixa de dar a atenção necessária ao cidadão. Entretanto, ainda que existam falhas, leitor, saiba que é constante a luta da maioria dos profissionais da área da saúde para que as engrenagens do SUS continuem a funcionar. Isso porque não há nada mais gratificante do que poder colaborar para que a qualidade de vida do cidadão apresente um quadro de melhora.
            Que o Dia Nacional da Saúde sirva para que o Estado e os profissionais da área da saúde reafirmem o compromisso com o Sistema Único de Saúde e, consequentemente, reafirmem o compromisso com o bem-estar da população. Além disso, que seja ratificado o compromisso de luta pelo aprimoramento contínuo da estruturação das ações de saúde pública no país. Ao agirem dessa forma, estarão dando continuidade ao embate travado, inicialmente, pelo sanitarista – Oswaldo Cruz.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Práticas Integrativas e Complementares no SUS





          Por meio da Portaria N° 849, de 27 de março de 2017, o Ministério da Saúde incluiu Arteterapia, Ayurveda, Biodança, Dança Circular, Meditação, Musicoterapia, Naturopatia, Osteopatia, Quiropraxia, reflexoterapia, Reike, Shantala, Terapia Comunitária Integrativa e Yoga à Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC). Tal medida atende ao que preconiza a Organização Mundial de Saúde: reconhecimento e incorporação das Medicinas Tradicionais e Complementares nos sistemas nacionais de saúde.
            As Práticas Integrativas e Complementares, conhecidas popularmente como “ramos da medicina alternativa”, precisam ser reconhecidas, valorizadas e incorporadas ao cotidiano do nosso Sistema Único de Saúde (SUS). Tal necessidade se dá porque tais práticas tem o objetivo de garantir a prevenção de agravos, a promoção e a recuperação da saúde, com ênfase na atenção básica, além de propor o cuidado continuado, humanizado e integrado em saúde, contribuindo com a resolubilidade do sistema de saúde com qualidade, eficácia, eficiência, segurança e participação social no uso.
          Ademais, não somente o médico, como também toda a equipe que trabalha pelo bom funcionamento do SUS, precisa valorizar as vivências e as experiências pessoais dos cidadãos. Ao exigir que o paciente abandone determinado tratamento alternativo, os profissionais da saúde podem estar comprometendo o tratamento e, consequentemente, a melhora do estado de saúde do paciente. Além disso, as Práticas Integrativas e Complementares estão fundamentadas em pesquisas científicas. A acupuntura, por exemplo, é uma tecnologia de intervenção em saúde que aborda de modo integral e dinâmico o processo saúde-doença.
          As Práticas Integrativas e Complementares, portanto, existem para aumentar a quantidade de recursos que podem ser utilizadas pelos cidadãos. Além disso, tais práticas colaboram para que a medicina se torne cada vez mais humanizada. Ademais, as Práticas Integrativas e Complementares fazem com que o cidadão se sinta mais à vontade e integrado ao Sistema Único de Saúde. Isso porque ele passa a se sentir mais respeitado, valorizado e, principalmente, bem acolhido.





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sábado, 11 de março de 2017

Qual é o prazo de validade do ser humano?



        “Existe somente uma idade para a gente ser feliz. Somente uma época na vida de cada pessoa em que é possível sonhar e fazer planos (...) Essa idade, tão fugaz na vida da gente, chama-se presente”. Tal fragmento, retirado do poema Idade de Ser Feliz – de Geraldo Eustáquio de Souza – vai de encontro ao que é imposto pela sociedade. Isso porque, nos dias atuais, parece que o ser humano passou a ter um prazo de validade. Tal como os aparelhos celulares que se tornam obsoletos em pouco tempo, por exemplo. Infelizmente, em função do cansaço cotidiano e das pressões sociais, as pessoas acabam acreditando que realmente são “muito velhas” para realizarem os sonhos que carregam dentro de si.
         As pressões sociais, não raro, são as principais responsáveis pela imposição de um prazo de validade aos seres humanos. Tal fato ocorre, porque uma parcela considerável da sociedade acredita que tem o direito de impor diretrizes aos outros. Tais como a “obrigação” de, até os 30 anos, ter total estabilidade emocional e financeira, ter casa própria e ter filhos, por exemplo. Tais obrigatoriedades absurdas têm a capacidade de fazer com que o indivíduo – caso queira satisfazer ao que é imposto pela sociedade – perca saúde mental e, consequentemente, saúde física. É claro que podem existir indivíduos que, antes dos 30 anos, sintam-se completamente realizados. Entretanto, fazer dessa situação uma regra geral é um profundo ato de desonestidade.
         Cada indivíduo é um universo único. Dessa forma, não há como comparar histórias e trajetórias diferentes. Assim sendo, a sociedade não tem o direito de impor prazos de validade aos indivíduos. Por isso, leitor, se alguém te disser que tu és muito velho (a)  para desempenhar determinada atividade, não dê ouvidos. Assim, automaticamente, não correrás o risco de te expor a uma carga prolongada de stress e, consequentemente, ganharás saúde mental e física. Segundo a Dra. Marilda Novaes Lipp – cientista, escritora e psicóloga – quando o stress é prolongado, ele afeta diretamente o sistema imunológico do indivíduo. Além disso, o ser humano cronicamente estressado apresenta cansaço mental, dificuldade de concentração, perda de memória imediata e apatia.
         Os seres humanos, portanto, não são objetos ou mercadorias. Em razão disso, a imposição de um prazo de validade ao ser humano se evidencia como uma atitude desonesta. Isso porque cada indivíduo possui características e habilidades específicas. Além disso, cada ser humano tem seu ritmo próprio. Dessa forma, ninguém precisa se sentir obrigado a cumprir as diretrizes insanas impostas pela nossa sistemática social doentia.

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Se Você é Jovem Ainda - Chaves

"Dona Florinda, convença-se de uma coisa: a juventude e a velhice não tem nada a ver com a idade"

(Professor Girafales)




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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Hipertensão Arterial Sistêmica: compreender para prevenir




         Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, a hipertensão arterial sistêmica primária (HAS) é uma condição clínica multifatorial, caracterizada por níveis elevados e sustentados de pressão arterial (PA). Essa pressão representa a força que o sangue exerce sobre a parede da artéria. Tal pressão, quando muito elevada, pode causar danos aos órgãos-alvo: cérebro, vasos, coração e rins, principalmente. Assim sendo, faz-se necessário que saibamos compreender, à medida do possível, o mecanismo de funcionamento da HAS para poder preveni-la.
          Certamente, o amigo leitor já ouviu alguém dizer: “Fulano nunca apresentou sintomas de pressão alta, mas teve um AVC”. Tal circunstância se dá, não raro, porque a HAS é um fator de risco silencioso. Normalmente, os sintomas (dores de cabeça, coração acelerado, visão turva e pernas inchadas, por exemplo) aparecem apenas na crise hipertensiva. Em função disso, frequentemente, quando é diagnosticada a HAS, os órgãos-alvo já se encontram lesionados. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia: idade, gênero, etnia, alta ingestão de sal, grande ingestão de álcool, excesso de peso, obesidade e sedentarismo, por exemplo, são fatores de risco para a HAS.
          Ainda que a HAS não tenha cura, ela pode ser controlada. Além disso, a mudança de hábitos pode auxiliar na prevenção da hipertensão arterial sistêmica primária. Se, até o dia de hoje, o leitor ainda não adotou práticas saudáveis no dia a dia, saiba que é possível alterar esse quadro. Bastam empenho e força de vontade. Quando adotamos bons hábitos no nosso cotidiano, a nossa vida, em condições normais, tende a se prolongar da melhor maneira possível. Ademais, lembro ao leitor que todos os cidadãos brasileiros têm como aliado o Sistema Único de Saúde (SUS). Não somente na luta contra a HAS, mas também em todas as outras lutas referentes ao nosso sistema de saúde. Se, em algum momento, o amigo leitor não estiver se sentindo muito bem, pode (e deve) procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima. Certamente, encontrará profissionais capacitados que poderão te auxiliar e te dar todo o atendimento que tu venhas a precisar.
          A adoção, portanto, de hábitos saudáveis pode reduzir o risco de um indivíduo ter complicações decorrentes da hipertensão arterial sistêmica primária. Dessa forma, faz-se necessário o empenho de todos na busca por um estilo de vida saudável. Isso porque a saúde plena do amanhã precisa nascer hoje.  


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Diário de Santa Maria




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